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A Escola do Jardim do Monte 1º Ciclo do Ensino Básico Génese do Projecto
A fim de dar continuidade a este projecto pedagógico foi apresentado à DREL um projecto de arquitectura para uma escola de 1º ciclo, já em construção. No entretanto decidiu-se implementar uma classe de 1º ciclo, funcionando na modalidade de ensino doméstico (Dec.Lei nº 553/80 de 21/11/80, Lei nº 9/79, Cap. I, alínea b) do nº 4 do art. 3º), o que permite desde já acompanhar não só as crianças que terminam o pré-escolar connosco, como também outras, cujos pais entendem o nosso projecto como o mais adequado para os seus filhos. Assim, em Novembro de 2007, concretizámos essa decisão, graças ao facto da professora Conceição Mendes – desde sempre designada para iniciar a nossa escola – ter sido reformada em Outubro de 07, para nossa grande alegria.
A concretização do Projecto Decorrendo do Projecto Educativo da Harpa – Educação para a Sustentabilidade, ao longo da Vida - e tendo como pano de fundo, por um lado, o resultado da experiência de mais de uma década de saberes realizados em escolas públicas, numa vivência diária a nível das aprendizagens, segundo o Programa de Desenvolvimento de Capacidades de Aprendizagem de Jean Berbaum e, por outro lado, a formação pedagógica na área do Desenvolvimento Pessoal, segundo a antropologia de Rudolf Steiner, que a equipa realizou nessas escolas com o Projecto Aprender a Aprender - um Recurso Educativo de Auto-Formação - deu-se forma a um conceito de Escola sobre o qual se edificou o projecto da escola do Jardim do Monte:
Uma escola onde cada criança tem a possibilidade de crescer enquanto pessoa e de encontrar respostas para um desenvolvimento harmonioso de verdadeiro cidadão do mundo, tendo oportunidade de aprender e compreender na natureza e com a natureza, dar sentido e saber usar o que aprende, desenvolvendo o gosto por aprender ao longo da vida e a autonomia em cada processo de aprendizagem.
A Escola do
Jardim do Monte enquanto espaço físico, humano e cultural
1. Um curriculum cujas áreas/conteúdos, respondendo embora às exigências do percurso escolar em Portugal, são elaborados e tratados para servir as necessidades educativas inerentes ao desenvolvimento global dos alunos em cada faixa etária.
2. Um
curriculum que integra de forma equitativa as vertentes teórica e
prática de cada saber, de forma a integrar na experiência de vida dos
aprendizes da experiência de vida daqueles em cujo seio brotou e cresceu
cada saber.
3. Um curriculum com uma estrutura interna articulada, isto é, que permite o tratamento interdisciplinar de conhecimentos, de forma a tornar acessível aos jovens o seu contexto intercultural - quer a nível dos indivíduos, quer a nível da(s) época(s) e/ou acontecimentos históricos e naturais - que forneça o sentido actual da «aldeia global».
(clique na imagem para ver apresentação) 4. Um método segundo uma abordagem biográfico-pedagógica, isto é: cada aluno é olhado primeiramente e em continuidade, como uma pessoa portadora de uma história e com circunstâncias de vida únicas. É nesse universo que, de forma harmoniosa e integradora, os aspectos pedagógicos são desenvolvidos, como forma de servir a biografia. (clique na imagem para ver apresentação)
5. Um espaço físico onde o interior e o exterior interagem como fontes de conhecimentos, «laboratórios» de experimentação, locais plenos de situações reais, onde o micro e o macro possam ser vivenciados como um todo unificador do Homem e da Terra.
6. Uma organização interna e uma gestão diária por parte dos adultos que possam ser edificadoras do ser e do estar dos seus alunos consigo próprios e no seio social. 7. Uma abertura à comunidade, não apenas através dos pais e famílias mas relativamente às outras escolas e instituições como forma de enriquecimento mútuo: oferta de experiências/saberes, partilha de afectos, resposta a necessidades, disponibilidade para conhecer/compreender outros universos humanos. 8. Uma avaliação essencialmente formativa que descreva o processo evolutivo da criança, valorizando as concretizações feitas nas áreas dos saberes escolares, do desenvolvimento sócio-afectivo e dos fundamentos ético-espirituais. Definimos com objectivos gerais para este Espaço-Escola: - Desenvolver as capacidades individuais para aprender ao longo da vida. - Ajudar a desabrochar em cada criança o ser humano em devir que ela traz em si para com ele caminhar ao longo da vida. - Alimentar o amor pela Terra e por todas as formas de vida que ela comporta, para que desse amor emane a vontade inabalável de actuar para a proteger. - Respeitar a integridade do ser humano em todas as circunstâncias da vida, independentemente da sua origem e da sua cultura. -Fortificar os sentimentos de gratidão e alegria pela dádiva da Vida em geral e pela contribuição de cada ser humano através daquilo que faz para a sustentar. - Despertar um interesse genuíno pelas diferentes formas de cultura humana ao longo dos tempos. - Desenvolver uma sensibilidade artística em várias expressões da Arte. (clique na imagem para ver apresentação)
Como funcionamos ao longo do ano lectivo Num espaço interior cuidadosamente preparado para acolher as crianças, completado pelo grande espaço exterior que constitui a quinta da HARPA – floresta, horta, pomar, jardim etno-botânico – as actividades curriculares decorrem ao longo da manhã, sendo a tarde, após o recreio, preenchida com as actividades complementares, no âmbito do Projecto Aprender com a Natureza. As refeições – fruta da manhã, almoço e lanche - confeccionadas exclusivamente com produtos biológicos decorrem na companhia dos adultos que trabalham com a crianças.
Nas festas celebradas ao longo do ano, a Escola associa-se ao Jardim de Infância, nomeadamente Festa das Lanternas/S. Martinho; Advento; Festa das Candeias e S. João.
Do nosso Projecto Pedagógico, destacamos «A grande tarefa do professor é fazer chegar o «mundo» até à criança, de maneira adequada à sua idade. Emoções e vivências intensas devem acompanhar o ensino de todas as matérias. Cada dia de aula deve ser para os alunos uma série de vivências que lhe despertem a admiração, o entusiasmo diante das maravilhas do mundo, da história, da matemática… Primeiro é preciso despertar os professores para que estes possam acordar as crianças e adolescentes, e é somente dentro do próprio Homem que encontramos o que é capaz de nos despertar.» Rudolf Steiner “Não basta adquirir conhecimentos, é necessário compreender, dar sentido e saber usar o que se aprende, para assim desenvolver o gosto por aprender e a autonomia no processo de aprendizagem.” “…dar uma atenção prioritária à natureza das actividades de aprendizagem que os alunos realizam na escola, promovendo-se as atitudes, os hábitos favoráveis, a experimentação e a reflexão, nos processos de ensino e aprendizagem.” Curriculum do 1º ciclo A Escola do Jardim do Monte pressupõe um regime de liberdade de ensino: . Liberdade quanto às Metas de Educação: cada professor é um facilitador das aprendizagens de forma a que cada criança desenvolva as capacidades que necessita para realizar de forma consciente o seu percurso de vida. . Liberdade quanto ao Curriculum: O conteúdo do currículo está adaptado às fases de desenvolvimento das crianças, considerando a inclusão de todos os conteúdos previstos no programa do ensino oficial. Cabe à escola determinar a época em que as matérias devem ser ensinadas. . Liberdade quanto ao Método Pedagógico: cada criança tem o direito de aprender segundo as suas capacidades e limitações. Todas as aprendizagens na faixa etária dos 6/7 anos aos 9/10 anos, são focadas na imagem de que O MUNDO É BELO. A harmonia e os mistérios que o mundo e a natureza nos presenteiam, provocam no aprendiz uma alegria constante de descobrir novas belezas e novos enigmas. Ensinar a aprender é uma tarefa constante do professor, aproveitando diariamente o meio envolvente da criança/aprendiz, as suas vivências e os seus saberes ocultos, como base para a matéria/conteúdos a desenvolver, respeitando os interesses da própria idade e o ritmo de cada criança. (clique na imagem para ver apresentação) Assim, em qualquer dos blocos das diferentes áreas de aprendizagem, começa-se sempre por observar e vivenciar o que nos rodeia, consoante o objectivo desse bloco, inserindo-nos no ritmo da natureza (estação do ano, mês, semana…), partindo sempre do que ela nos dá naquele momento e do que cada criança já sabe sobre esse assunto. Língua Portuguesa Na aprendizagem da leitura e escrita, a oralidade é usada como primeiro instrumento de expressão e intensamente cultivada por meio de poesias, contos de fadas, narrações, lenga-lengas, para que a criança possa reproduzir correctamente o que ouve. Da vivência à aprendizagem (clique na imagem para ver apresentação) Começará por escrever globalmente palavras que ela conhece e gosta, acompanhadas sempre por bonitos desenhos que ela própria ilustra. Mais tarde começará a aprendizagem das letras que será sempre acompanhada de uma história relacionada com a letra e contada pelo professor. Durante o primeiro ano só se escreverá em maiúsculas de imprensa, com lápis de cera de cores bonitas tal como a sua idade o permite, respeitando assim o seu desenvolvimento. A leitura acontece naturalmente durante todo o processo, desde que o interesse da criança esteja desperto. Nestas idades, os textos são escolhidos de acordo com a mesma e serão o material de trabalho das respectivas classes. Iniciação à escrita (clique na imagem para ver apresentação) Matemática Na aprendizagem da matemática, todo o corpo deve entrar em actividade, e é através do corpo, dos seus movimentos e ritmos que os primeiros elementos de matemática devem ser assimilados; a criança faz cálculos, contagens, recita tabuadas, usando o movimento corporal, o ritmo, deslocando-se no espaço, vivenciando todos os exercícios através do corpo. Trabalha com unidades, dezenas, centenas, andando, batendo palmas, acentuando os números desejados. As quatro operações são praticadas simultaneamente através do cálculo mental e do corpo a partir de situações problemáticas construídas pelas próprias crianças no âmbito das actividades realizadas no meio circundante: formar conjuntos das diversas árvores de fruto, contar as bolotas apanhadas, calcular o nº de favas semeadas, contando a quantidade colocada em cada rego e o nº de regos feitos; realizar operações através de pesagens de frutos colhidos; calcular a área das estufas através de medições feitas no terreno, etc. (clique na imagem para ver apresentação)
Tudo isto é vivenciado muito antes de aprender a escrever os números e de fazer contas no caderno. As crianças conquistam o espaço dos números com o corpo, com a alma e com o espírito. Nunca deve ser esquecido que qualquer matéria/conteúdo trabalhado será sempre na base de que o mundo é belo.
Áreas Transversais Considerando que a criança aprende através do seu corpo e usa os seus sentidos como porta aberta para as aprendizagens, o movimento corporal é o elemento fundamental e comum a todas as áreas. Todas as áreas que se seguem têm um ritmo semanal. A euritmia A arte de euritmia torna visível tanto a palavra falada como a música tocada. Na euritmia pedagógica utiliza-se uma linguagem rítmica ou musical, pequenos poemas, histórias da época do ano, contos de fadas e canções para as acompanhar. As crianças imitam os gestos que correspondem aos sons da fala. Cada movimento expressa um som, um sentimento e tem o seu sentido. Os ritmos, as mudanças de rápido-lento, grande-pequeno, curvo-direito, claro-escuro exigem da criança uma “ginástica anímica” que a concentra e relaxa, consolida e liberta. Assim, a criança pode transformar e harmonizar o excesso de impressões do mundo à sua volta, trazendo imagens e experiências para a alma. “A euritmia fortalece as iniciativas da vontade, quando a criança faz movimentos nos quais a alma se manifesta”, afirmou Rudolf Steiner, o criador da Euritmia. No 1º ciclo as crianças percorrem formas espaciais em grupos ou individualmente e com a música (ao vivo) são agora ensinados os movimentos dos tons, intervalos, etc. também expressos em coreografias simples. O objectivo nas aulas é que a criança seja cada vez mais independente na sua expressão nas coreografias e na participação em trabalho do grupo. A euritmia beneficia a coordenação, a concentração e apoia a postura, ajudando a criança a desenvolver-se em equilíbrio. Também apoia as matérias ensinadas na escola. (clique na imagem para ver apresentação)
O Conto, o Desenho de Forma e a Pintura com aguarelas O Conto tem como objectivo principal ser o alimento da alma. É feito de forma oral e adequado à faixa etária das crianças. O Desenho de Forma é uma actividade que pretende desenvolver na criança o ritmo, a harmonia estética e a disciplina mental. Na verdade é um caminho de desenvolvimento interior onde a coragem, a perseverança, o equilíbrio interior, a calma e o recolhimento estão sempre presentes. (clique na imagem para ver apresentação)
A Pintura com aguarelas tem como meta principal levar a criança a vivenciar o mundo das cores e a expressar a sua vida dos sentimentos. (clique na imagem para ver apresentação)
ACTIVIDADES COMPLEMENTARES Projecto Aprender com a Natureza, a escola à volta da Escola As Actividades Complementares como a Música Instrumental, o Canto, o Inglês, o Teatro e Dramatização, Artes Plásticas e Artesanais, Agricultura e Jardinagem, Jogos de Orientação na Natureza apresentam-se não só como um complemento curricular mas também se integram num todo que proporciona à criança um saudável desenvolvimento global, permitindo-lhe exteriorizar as suas capacidades individuais e em grupo, necessárias à sua integração harmoniosa no mundo. Nos diferentes ateliers criamos espaços mágicos que acompanham os vários ritmos da Natureza através das quatro estações do ano: o Outono, o Inverno, a Primavera e o Verão.
Música e Canto Através de actividades na sala de aula e ao ar livre, procuramos despertar o interesse e a curiosidade pelos fenómenos do som, do silêncio e da música, experimentando instrumentos de ritmo ou escutando os sons da Natureza. Utilizamos também a capacidade de improvisação para desenvolver a criatividade musical. Com a vivência diária de melodias e ritmos, cada criança aprende a cantar como expressão de alegria interior. Assim, aprendemos novas canções, músicas e melodias escutando a guitarra clássica e tocando por imitação flauta de Bisel, como principais instrumentos musicais. (clique na imagem para ver apresentação)
Inglês As actividades de inglês são realizadas através de músicas, danças, poesias, e jogos que facilitam a aprendizagem de novas palavras de forma lúdica e natural. Cada tema é apresentado duma forma viva e directa através do uso da arte e do corpo. O objectivo é criar na sala de aula uma atmosfera natural onde a criança aprende a nova língua com espontaneidade e entusiasmo.
Dramatização e Movimento Desenvolvemos actividades de expressão corporal, trabalhando a construção de personagens através do jogo dramático. A dramatização e o movimento surgem sempre como componentes a todas as outras actividades realizadas com as crianças. (clique na imagem para ver apresentação)
Trabalho com a lã No Inverno aquecemos as mãos e a alma das nossas crianças com a dádiva da lã, experimentando todo o processo de transformação desde que sai da ovelha até aos fios coloridos e entretecidos: lavar, cardar, fiar, tingir, tricotar, feltrar e entretecer a lã são actividades ao longo das quais se vão ultrapassando dificuldades e assim obtendo resultados surpreendentes que desenvolvem capacidades muito para além da tarefa realizada.
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Trabalho com a madeira Tocar a madeira e sentir-lhe o peso, a textura, o cheiro e a cor. Transformá-la em pequenos objectos ou simplesmente seguir o seu gesto, fazendo surgir dela uma inesperada finalidade, até ao trabalho mais dirigido para se experimentar formas côncavas, convexas e lineares num objecto do quotidiano, como uma colher. (clique na imagem para ver apresentação)
Agricultura e Jardinagem O contacto directo com os ritmos anuais, participando nos trabalhos realizados na terra em cada estação, é a experiência essencial que se pretende oferecer às crianças: cavam, semeiam e plantam hortícolas e plantas aromáticas, fazem compostagem, apanham frutos, podam e limpam as árvores, queimam os ramos velhos, etc. conforme as necessidades da natureza em cada época. Sempre que possível colaboram na transformação das dádivas da natureza: fazem compotas, óleo de calêndula, etc. Em cada experiência sentem, cheiram, observam, ouvem, provam com todo o seu ser, aprendendo a amar, cuidar e respeitar a Mãe-Natureza.
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Grupo Ano Lectivo 2009/2010 Ano Lectivo 2010/2011
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