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Princípios Educativos

 

Para educar uma criança é necessário estarmos abertos e dispostos a nos auto-educar, tal como a criança está aberta e disposta a aceitar o mundo sem reservas. Imbuída do sentimento de que ele é bom, absorve-o e imita-o num impulso natural, através de todos os seus sentidos que a permeiam na sua globalidade corporal: ao ver, ouvir, tactear, saborear, etc, fá-lo com todo o seu ser, entregando-se a cada sensação completamente como um orgão global de percepção.

Ao longo do 1º septénio a criança, descobrindo progressivamente o mundo à sua volta, descobre-se a si própria no seio do mundo, actuando nele através do brincar, no qual utiliza o seu corpo como instrumento de imitação.

A capacidade de imitar por um lado e do uso dos sentidos por outro, constitui o fundamento para o futuro desenvolvimento da capacidade de pensar, pela qual o ser humano vai erguendo em si e afirmando no mundo a sua individualidade. Em simultâneo a memória começa lentamente o seu processo de fornecer o elo que ligará a criança ao passado e lhe permitirá perspectivar o futuro, a partir da descoberta da existência do mundo, como algo que lhe é exterior e, portanto, estranho. Por isso, esse processo não deve ser forçado pois vai retirar ao funcionamento vital da criança, onde a memória vive ancorada, as forças que necessita para o seu desenvolvimento físico.

Como a criança constrói a sua relação com o mundo através das mensagens que este vai imprimindo no seu ser, devemos considerar o ambiente que a envolve, na sua acepção mais ampla, incluindo não apenas a qualidade física que os seus sentidos captam, mas também a qualidades dos afectos e dos valores morais.

Como educadores pretendemos proporcionar vivências que fortaleçam o impulso que a própria Vida expressa na natureza do ser infantil.