A História do Lenhador

 

   Há muito tempo, numa floresta verdejante e silenciosa, próxima de um riacho de águas cristalinas, vivia um pobre Lenhador que trabalhava muito para sustentar a sua família. Todos os dias fazia a árdua caminhada floresta a dentro, levando ao ombro o seu afiado machado de aço. Partia sempre assobiando contente, pois sabia que enquanto tivesse saúde e o seu machado, conseguiria ganhar o suficiente para comprar comida que a família precisava.

Um dia, enquanto estava a cortar um enorme carvalho, deu-lhe uma tontura e teve de se sentar. Passado pouco tempo adormeceu. Quando acordou reparou que o seu machado desaparecera, então decidiu procurá-lo.

De imediato, olhou para trás e viu alguém a correr. Era uma bruxa que desaparecera no meio da floresta! Por sorte deixou cair o seu chapéu pontiagudo!

Durante a sua procura, o Lenhador deparou-se com um Unicórnio debaixo de uma grande árvore de maçãs de oiro, então decidiu perguntar-lhe se tinha visto uma Bruxa a correr com um machado na mão, e ele respondeu:

- Eu vi, mas para saberes onde ele foi tens de me fazer um favor.

- Qual? – Perguntou o Lenhador.

- Tens de apanhar aquela maçã que está no topo da árvore!

O Lenhador trepou a árvore e apanhou a maçã! De seguida o Unicórnio disse:

- Sobe para o meu dorso, eu levo-te à Bruxa!

- Obrigado! – Agradeceu o Lenhador.
E lá foram eles floresta a dentro até ao esconderijo da Bruxa perto do rio. Passado algum tempo começava-se a avistar um sítio sombrio, era o fim da viagem.
- Chegámos! - Disse o Unicórnio.
- Adeus e obrigado. – Respondeu o Lenhador.
Atento e muito devagar, o Lenhador encontrou a Bruxa com o seu machado.
- Sua Bruxa maldita, dá-me o meu machado!
- Nunca! – Respondeu ela
E com toda a sua força, atirou o machado para dentro do rio! O Lenhador ficou furioso e foi logo procurá-lo. Debruçou-se sobre a margem do rio e já não tinha esperança. Uma lágrima salgada e transparente atingiu as límpidas águas do rio.
- O que vou eu fazer? Perdi o machado! Como vou dar de comer aos meus filhos? – Lamentou-se o Lenhador.


Mal acabara de falar, surgiu de dentro do rio uma bela mulher. Era a Fada das Águas que viera à superfície ao ouvir o lamento daquele homem.
- Porque sofres tanto? – Perguntou a fada em tom amável.
O Lenhador contou o que acontecera. A Fada ao ouvir a triste história, mergulhou no rio trazendo de volta consigo um machado de prata.


- É este o machado que perdeste?
O Lenhador pensou em todas as coisas belas que poderia comprar para os seus filhos com todo aquela prata! Mas o machado não era dele! Abanou a cabeça e disse:
- Não! O meu machado era de aço.
A Fada das Águas colocou o machado de prata sobre a margem do rio e mergulhou mais uma vez. Quando voltou mostrou outro machado ao Lenhador:


- Talvez seja este o teu machado.

- Não, não é o meu. Esse é de ouro. Vale muito mais do que o meu.

A Fada das Águas colocou o machado de ouro sobre a margem do rio e mergulhou mais uma vez. Voltou à
superfície, e desta vez trazia com ela o machado perdido.
- Esse é o meu! É o meu sem dúvida!
- É o teu – disse a Fada das Águas – e agora também são teus os outros dois. São um presente do rio por teres dito a verdade.


E à noitinha, o lenhador iniciou a árdua caminhada de volta para casa com os três machados às costa, assobiando contente e pensando em todas as coisas boas que iria levar para a sua família.

 

 

 
 

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